Reclamação FC: o time que mais joga parado no Brasil

Entre o apito e o teatro, o futebol brasileiro ensaia mais do que joga.

No Brasil, o futebol é o único lugar do mundo onde o juiz apita e ninguém ouve, mas todo mundo fala, se posiciona e reclama.


A falta é clara. O jogador chega atrasado, acerta o tornozelo, o calcanhar, talvez até o CNPJ do adversário.


O árbitro apita.


E o herói da pátria, com cara de quem acabou de sair da missa, afirma indignado:


— Professor, foi nada!


É o famoso “ator” brasileiro: o jogador nunca faz falta, ele apenas “participa da jogada com certa intensidade”.

O adversário caiu sozinho, tropeçou na perna alheia ou escorregou no vento.

Aí começa o cerco.

Quatro, cinco jogadores chegam energicamente junto, cercam o juiz como se ele fosse um caixa eletrônico prestes a liberar o VAR em espécie.

Um fala, outro gesticula, o terceiro cita o regulamento, e o quarto só grita “vergonha!” porque é o que sempre grita, fora o dicionário abastecido de palavrões.

Na beira do campo, o técnico faz sua coreografia particular. Chuta o ar, o copo d’água e, se der, o quarto árbitro. Reclama do sol, da sombra e do gramado, até ser advertido verbalmente, com cartão amarelo e pela terceira e última vez, o vermelho, que quando é levantado para o treinador reclamão, meu Deus, ele xinga até a quinta geração do arbitro Mas quando o juiz marca a favor, ele vira um monge: respira fundo e agradece ao “bom senso da arbitragem”.

E o jogo?


Ah, o jogo que espere.


Entre o apito e o reinício da partida, o relógio vai correndo e o espetáculo, parado.

Pra completar o show, tem o momento teatral: o jogador leva um toque no peito e cai com as duas mãos no rosto, girando no chão como se tivesse levado uma cotovelada de cinema.

É o trato puro, a mais refinada escola de interpretação esportiva do mundo.

Stanislavski choraria de emoção e o VAR, de raiva.

No fim, quem paga o preço é o torcedor, aquele que comprou ingresso pra ver a bola rolando, não teatro improvisado em campo.

O futebol brasileiro virou novela: muito drama, muito grito, pouca ação.

E o espetáculo?


Fica ali, sentado nas arquibancadas, esperando o juiz apitar de novo, pra ser interrompido outra vez.

E nos acréscimos, dependendo do resultado do jogo, alguns torcedores ficam na expectativa de muito tempo, afinal pagou o ingresso e quer jogo, já quem está com a vitória em risco, fica gritando, acaba, acaba pelo amor de Deus.


Pronto falei – Toca o Barco
Por Josafá Gomes

Josafá Gomes de Sousa é graduado em Publicidade e Propaganda, jornalista, Pós Graduado em Jornalismo Esportivo, Radialista da 101FM Macaé, ex-supervisor do Macaé Esporte FC, membro do Conselho Deliberativo do CR Flamengo-RJ e colunista do Portal Willian D’Ângelo.

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