Colunista Josafá Gomes: o dia em que Lima virou Maracanã
E chegou o dia, minha gente. Aquele dia que o torcedor fica com o coração desobediente, pulsando fora do ritmo, como se quisesse driblar a razão e meter um gol de fora da área. Chegou o dia de final da Libertadores entre paulistas e flamengos, flamengo e paulistas — porque, nesse palco continental, a ordem dos fatores não altera a grandeza da decisão.
Mas antes de falar da bola rolando, precisamos falar da geografia. Porque, veja você, o Brasil construiu estádios de Norte a Sul, templos erguidos para a Copa de 2014, arenas brilhando como joias novas. E, mesmo assim, a final tem que ser em Lima, no Peru. Porquê? A Conmebol deve ser fã do ceviche, só pode. Afinal, não existe voo direto do Rio pra Lima — o torcedor vira praticamente um personagem de novela das oito, sofrendo, rodando o continente, fazendo escala até na própria paciência. Nunca é simples para o brasileiro, nunca. Mas dito isso, vamos ao jogo. De um lado, o Palmeiras, esse laboratório de juventude, time de energia carregada na tomada. É uma equipe que perdeu Estevão, seu craque do ano. É um time que, temporada após temporada, vê seus talentos cruzarem o Atlântico. Mesmo assim, segue competitivo, veloz, ágil, com aquele instinto de quem quer matar o jogo em transição, no bote, no arranque. O Palmeiras é como um garoto correndo descalço: leve, rápido, perigoso. Do outro, o Flamengo, esse clube que parece sempre entrar com uma mão no troféu — ou pelo menos com a certeza de que, se a taça escapar, será preciso arrancá-la. É o time mais experiente, mais cascudo, que joga em bloco, que pensa junto. O Flamengo não corre: ele se instala. Ele se impõe.
O maestro? Jorginho. Ah, Jorginho! O cérebro rubro-negro, a prancheta viva. Ele pensa o jogo como quem lê partitura, ele articula e executa com a mesma calma de quem passa um café. Nada parece assustar Jorginho — nem final de Libertadores, nem pressão de estádio neutro, nem a distância entre o Peru e o Rio. O Flamengo vai a campo com Rossi, Varela; Léo Ortiz ou Danilo, Léo Pereira e Ayrton Lucas (Alexsandro, pra uns); Pulgar, Jorginho, Arrascaeta; Carrascal, Bruno Henrique e Cebolinha. Um time que, quando resolve jogar junto, vira quase uma frase musical: começa em cordas, evolui em sopros e termina em percussão. Do outro lado, o Palmeiras jovem, ambicioso, veloz. E é isso que faz desta final um choque de gerações, de estilos, de maneiras de enxergar o futebol.
Mas tem mais: quem vencer hoje será tetracampeão da Libertadores. O quarto título. O número que separa os grandes dos gigantes.
E, cá entre nós, embora o jogo seja em Lima, embora o torcedor tenha que trocar de avião como quem troca de camisa, embora a logística seja um samba sem ensaio… eu
tenho um palpite.
Esse tetra tem cara. Tem sotaque. Tem endereço. E ele aponta para a cidade maravilhosa.
Pronto falei – Toca o Barco
Por Josafá Gomes

Josafá Gomes de Sousa é graduado em Publicidade e Propaganda, Jornalista, Pós Graduado em Jornalismo Esportivo, Radialista da FM 101 FM, ex-supervisor do Macaé Esporte FC, membro do Conselho Deliberativo do CR Flamengo-RJ e colunista do Portal Willian D’Ângelo.

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