Colunista Fernanda Lobão: análise a quem critica o amor pelo time de futebol
Muitas pessoas que dizem “não gostar de futebol” acabam utilizando esse posicionamento para desqualificar quem gosta — como se torcer, vestir a camisa do time, gritar, chorar ou comemorar fosse algo “ridículo” ou “perda de tempo”.

Do ponto de vista da psicologia, essa postura revela muito mais sobre quem critica do que sobre quem vive essa paixão.
Diversos estudos da Psicologia Social e da Psicologia Cultural mostram que o esporte — assim como a música, a arte, a religiosidade ou qualquer outra forma de expressão coletiva — funciona como um importante marcador de identidade, pertencimento e coesão social.
Torcer por um time ativa processos psicológicos semelhantes aos que ocorrem em vínculos comunitários: senso de grupo, compartilhamento de símbolos, narrativas e emoções. Isso não é imaturidade; é natureza humana.
A Teoria da Identidade Social (Tajfel & Turner) demonstra que as pessoas constroem parte de sua identidade a partir dos grupos aos quais pertencem. No futebol, o torcedor encontra reconhecimento, segurança emocional e conexão. Já nas arquibancadas ou no sofá de casa, o cérebro libera emoções ligadas ao engajamento, catarse e prazer — respostas neuropsicológicas esperadas e saudáveis quando vivenciadas com equilíbrio.
Além disso, expressar emoções intensas — vibrar, gritar, se frustrar, comemorar — faz parte de um mecanismo conhecido como regulação emocional coletiva. Em vez de “irracionalidade”, o que acontece é a possibilidade de elaborar sentimentos por meio de experiências simbólicas compartilhadas. Em termos clínicos, isso é muito diferente de alienação: trata-se de uma forma legítima de vivência emocional e cultural.
Desqualificar quem gosta de futebol, chamando de “bobo” ou “sem sentido”, não é sinal de superioridade intelectual; é um comportamento associado ao preconceito simbólico e à dificuldade de reconhecer que as pessoas podem atribuir significados diferentes às mesmas experiências. A psicologia chama isso de viés de desvalorização do outro.
Em outras palavras: se alguém não gosta de futebol, tudo bem. O problema começa quando transforma a própria preferência em critério para julgar o outro. Gosto não é régua de validação humana.
Futebol, para milhões de pessoas, não é só um jogo — é memória afetiva, identidade familiar, história de vida, pertencimento social e expressão emocional. Isso merece respeito da mesma forma que qualquer outra paixão legítima.
Portanto, antes de criticar quem torce, veste a camisa e vibra pelo seu time, vale lembrar: o que para alguns é “exagero”, para a ciência é expressão de cultura, identidade e afeto — e isso é profundamente humano.
Obs: Escrevo como psicóloga, por ser cientista do comportamento humano que estudo, leio há 31 anos nessa área a qual atuo tecendo o texto de acordo com cientistas tanto da psicologia como sociologia.
Fernanda Lobão
Dra. Fernanda Lobão é colunista do Portal Willian D’Ângelo, Psicóloga Pós-graduada em Psicologia Clínica Hospitalar e Esportiva atuante há 25 anos.

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