Quando o tempo para e os craques voltam
Na última quinta-feira, no intervalo da partida entre Brasil x Chile, que foi realizada no Maracanã, o relógio resolveu descansar. O tempo parou, e quem esteve presente pôde ver, diante dos olhos, a história inteira da Seleção Brasileira passeando pelo mesmo gramado da memória.

Romário e Bebeto se olharam e, por um instante, era como se estivessem de novo no Rose Bowl, celebrando aquele gesto que embalou um país inteiro. Jairzinho caminhava sorridente, e a lembrança dos seus sete gols em 1970, um em cada partida, parecia ecoar, como um grito eterno que nunca se apaga. Brito e Marco Antônio, guardiões de um futebol que ensinou o mundo a jogar bonito, distribuíam abraços com a serenidade de quem sabe ter participado de algo imortal.

Mauro Silva, discreto e firme como em campo, seguia segurando as conversas com a mesma classe com que segurava o meio-campo. Dadá Maravilha, sempre Dadá, ria alto, lembrando que gol feio também vale, e que a alegria é parte da essência do futebol. E enquanto ele falava, Edílson e Denílson trocavam piadas, dribles verbais, como se ainda estivessem na linha de fundo, fazendo a torcida levantar.

O Paulo César Caju é fundamental, um personagem de peso, com histórias fortes é sempre uma voz marcante quando o assunto é Seleção e futebol brasileiro. Lúcio, Kleberson, Ronaldão, Márcio Santos, Branco, Jorginho, Mazinho, Roberto Miranda, Pepe, Gerson, Paulo Henrique, cada nome, cada rosto, era um retrato vivo de tardes e noites em que o Brasil inteiro parava diante da TV, acreditando que dentro daquela camisa amarela morava a eternidade. E havia uma energia difícil de explicar. Não era só encontro, era reencontro. De craques com craques, de campeões com conquistas, de um país com a sua própria alma boleira. O ambiente era de resenha, de sorrisos, de histórias contadas e recontadas, mas acima de tudo de gratidão. Gratidão por termos vivido ou herdado pedaços de suas glórias.
Naquele instante, ninguém era apenas torcedor ou ex-jogador. Todos eram parte de um mesmo time: o time da memória. E ali ficou claro que, mesmo que os anos passem, mesmo que o futebol mude, certos nomes e certos momentos nunca se apagam. Eles apenas descansam no coração do povo, esperando encontros como esse para renascer.
Porque o futebol brasileiro é assim: eterno, como aqueles craques que voltaram a brilhar ainda que sem chuteiras em uma noite que o tempo não ousou interromper.
Isso é um pouquinho da história do futebol brasileiro.
E no próximo ano teremos a Copa do Mundo, com jogos no Canadá, Mexico (Brasil campeão em 1970) e nos Estados Unidos (Brasil campeão em 1994). Acreditamos que a história vai se repetir, pois tudo isso é Brasil.
Pronto falei – Toca o Barco
Josafá Gomes
Josafá Gomes de Sousa é graduado em Publicidade e Propaganda, Jornalista, Pós Graduado em Jornalismo Esportivo, Radialista, ex-Supervisor do Macaé Esporte FC, membro do Conselho Deliberativo do Flamengo-RJ e colunista do Portal Willian D’Ângelo.
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