Copa de 1962: o bicampeonato mundial do Brasil e a superação sem Pelé
A Copa do Mundo de 1962, sediada no Chile, foi a sétima edição do torneio, realizada de 30 de maio a 17 de junho. Dezesseis seleções, incluindo as estreantes Bulgária e Colômbia, disputaram o título em quatro cidades chilenas. A competição ficou marcada por goleadas expressivas e pelo único gol olímpico da história das Copas. Craques como Garrincha, Vavá e Josef Masopust brilharam no torneio.
O Brasil conquistou seu segundo título mundial, mesmo com a contusão de Pelé na segunda partida. Garrincha assumiu o protagonismo, sendo considerado o melhor jogador da Copa e artilheiro ao lado de Vavá e outros quatro atletas. A final foi disputada contra a Tchecoslováquia, com o Brasil vencendo por 3 a 1, garantindo o bicampeonato com gols de Amarildo, Zito e Vavá, sob a liderança do capitão Mauro Ramos.
GUERRA FRIA
Estados Unidos, capitalista, e União Soviética, socialista, viviam nos anos 60 uma tensão conhecida como Guerra Fria. Ambos eram as maiores potências militares da época e detinham um poderio nuclear capaz de devastar o planeta – o medo de todos era que um deles desencadeasse tudo e o outro reagisse. Cada um tinha espiões infiltrados para colher segredos do rival. Em 1962, a Guerra Fria estava no auge. Um exemplo disso ocorreu cinco meses depois de encerrado o Mundial. Na época, os norte-americanos descobriram a existência de silos soviéticos para abrigar misseis nucleares em Cuba. O episódio ficou conhecido como a “Crise dos Misseis” e foi o momento mais tenso do conflito. Diz-se que foram treze dias que abalaram o mundo. Para sorte do futebol, os Estados Unidos não participaram da Copa, o que eliminou qualquer risco de incidente diplomático.
FINAL ENTRE BRASIL E TCHECOSLOVÁQUIA
Na final, disputada no dia 17 de junho no Estádio Nacional de Santiago, o Brasil venceu a Tchecoslováquia pelo placar de 3 a 1. Amarildo, Zito e Vavá marcaram os gols do time Canarinho. Josef Masopust, que abriu o placar, fez para a Tchecoslováquia.
Tal como em 1958, houve drama novamente em uma final de Copa do Mundo. O craque Josef Masopust colocou os europeus em vantagem aos 15 do primeiro tempo. Mas Amarildo, justamente o jovem substituto de Pelé, empatou apenas dois minutos depois, com uma bela jogada individual pela esquerda e um chute cruzado que varreu a ansiedade do gramado. No segundo tempo, Zito (de modo bastante inovador) e Vavá completaram a virada.
A COPA DE GARRINCHA
No momento em que a Seleção Brasileira pudesse se perder sem Pelé, seu craque maior, Garrincha mostrou um repertório que ia muito além do gingado. Gol de cabeça, cobranças de faltas decisivas, finalizações com a perna direita ou esquerda, dentro e fora da área. Teve de tudo.
Foi grande o brilho dele nos jogos-chave, especialmente na semifinal contra os chilenos, donos da casa, numa vitória por 4 a 2 que ficou marcada pela raça e técnica da ponta-direita, conquistando até mesmo a fervorosa torcida local.
Ele fez dois gols nas quartas, contra a Inglaterra, e dois na semifinal, contra o Chile. Não marcou na final, mas o bicampeonato mundial teve sua assinatura e se tornou “A Copa do Garrincha”.
ARTILHEIROS DA COPA DE 1962
Jerkovic, atacante de 25 anos da Seleção da Iugoslávia, foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1962 com 5 gols marcados. Em seguida apareceram Garrincha e Vavá (Brasil), Leonel Sánchez (Chile), Albert (Hungria) e Valentin Ivanov (União Soviética), todos com 4 gols cada.
